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Darah Gomes

In Darah

foi criado com intuito de mostrar o melhor e o pior lado da moda. Aqui você vai descobrir como o mundo fashion é importante e precisa ser discutido com urgência. Porque não se trata apenas de roupas, é arte! São cores e modelos que trazem significado e expressam nossa realidade.

Darah é jornalista e consultora de imagem & estilo. Além de colunista de moda, ela está se especializando em direção criativa de moda e mantém um site, onde dá dicas e fala sobre o mundo fashion.

Bolsos falsos: estilo ou machismo?

Enviado por: 15/11/2019

Engana-se quem pensa que moda não tem nada a ver com política. Desde o início tudo sempre foi pensado para manter a ideia de poder do homem e o conceito de mulher submissa, não sendo diferente nas roupas. Hoje algumas coisas podem até ter mudado, mas muitos detalhes ainda vêm dessas ideias machistas de antigamente, como por exemplo os bolsos falsos em roupas femininas e até o tamanho deles, que em alguns casos se tornam inúteis.

As algibeiras eram bordadas (Imagem retirada da internet)

Para vocês entenderem um pouco da história de como os bolsos começaram a surgir nas peças e como se tornaram um item sexista, vamos voltar há séculos atrás. Antes da criação deles, homens e mulheres utilizavam algibeiras, que são pequenos sacos que as pessoas usavam na cintura amarrada ao cinto.

No século XVII, os bolsos começaram a surgir nas peças masculinas. Os itens eram feitos separadamente e depois costurados nas roupas. Enquanto isso, as mulheres continuaram usando as algiberas, mas o acessório acabou mudando de lugar, sendo usado por dentro das roupas. Essa mudança deixou o saco tornou o saco praticamente inútil para as mulheres, que precisavam levantar a saia ou vestido para acessa-lo.

Já no século VVIII, as algiberas começaram a vir com longos fios para que fossem amarradas na cintura por cima da roupa, se tornando uma versão mais simplona da pochete. O item parou de ser usado no século XIX, quando as tendências para peças femininas começaram a ser roupas bem apertadas e com pouco volume. Por o acessório dar volume a produção, ele foi deixado de lado pelas mulheres mais ricas, que tinham os maridos para carregar o dinheiro.

Com uma imprensa totalmente machista, na época, o jornal The New York Times chegou a diminuir as mulheres por conta dos bolsos: “Na medida que ficamos mais civilizados, precisamos de mais bolsos […]. Ninguém que não usa bolsos se tornou importante depois que eles foram inventados, e o sexo feminino não será páreo para nós [os homens] enquanto usar roupas sem bolsos”.

(Imagens retiradas da internet)

Os bolsos começaram a ser usados pelas mulheres trabalhadoras no fim do século XIX. Elas começaram a optar por peças mais práticas, como a calça. Essas mulheres eram mal vistas e julgadas pela sociedade, que acreditava que o papel de assalariado era apenas para o homem. O item só se normalizou no fim do séc. XX, quando o estilo boyish se tornou tendência, trazendo as gravatas, ternos e coletes para o guarda-roupa da mulher.

Já no fim dos anos 90 veio a onda das peças justas. Isso fez com que os bolsos fossem retirados até das calças femininas por serem considerados como itens que aumentavam a silhueta da mulher. A partir do séc XXI – aka, atualmente – as coisas mudaram um pouco, mas o reflexo dessa história sexista e machista ainda é vista em muitas peças com bolsos pequenos e até falsos. Já dizia o estilista Christian Dior, em 1954, que “homens têm bolsos para guardar as coisas. As mulheres, para decoração”.

Em um artigo publicado pelo The Atlantic, eles questionam a política de gêrenos dos bolsos. “Um homem pode simplesmente deslizar as chaves e o iPhone para dentro do bolso para sair para uma reunião com os amigos. Uma mulher que vá na mesma reunião ou precisa carregá-los na mão ou precisa trazer a bolsa toda com ela — um sinal definitivo e claro de que ela é uma mulher”, destaca o texto. E para quem não acredita que até a moda é usada para aumentar a desigualdade, não conhece da missa a metade.

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