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Darah Gomes

Colorindo Vidas

De blog, a canal no YouTube, e coluna no V9, o Colorindo Vidas volta a trazer as principais notícias sobre o mundo da moda. Porque não se trata apenas de roupa, se trata de arte. Sobre cores e modelos que trazem significado e expressões da nossa realidade.

Calendário de coleções de moda podem sofrer mudanças pós-pandemia

Enviado por: 15/05/2020

(Imagem: Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica)

Você já parou para pensar em quanta criatividade é necessária para que designers montem uma coleção completa de roupa? Agora imagine ter que reinventar peças quatro ou até cinco vezes ao ano. É isso que acontece com o “calendário das coleções”, criado pelo estilista Charles Worth, conhecido como o pai da alta-costura. Cada semana de moda é feita para apresentar ao mundo as apostas de tendências para as novas estações, mas isso é o que provavelmente será mudado após a pandemia.

No Brasil essa ideia de fazer várias coleções por ano já era algo mais difícil e na maioria das vezes reduzido a três ou duas pelas poucas mudanças visíveis no nosso clima, mas lá fora esse tempo sempre foi seguido à risca. No país o calendário também é alterado por termos estações diferentes da Europa, onde as datas foram pré-estabelecidas. Teoricamente, aqui a coleção de outono é lançada em março, a de inverno em maio, já em setembro é a vez das peças de primavera e em outubro ou novembro as de verão. Para finalizar, ainda há uma criação de alto-verão que é apresentado em novembro e dezembro com peças para o clima mais quente. Na Europa essa coleção é transformada no pre-winter (pré-inverno, em tradução livre), já nos Estados Unidos eles fazem o High Summer (alto verão).

A ideia de diminuir o número de coleções já era discutida no mundo da moda há alguns anos pela falta de tempo do comércio aderir e vender as peças e também pela correria para que o estilista criasse algo completamente novo. Não havia um tempo de respiro, antes de terminar a coleção de outono, já era hora de pensar na de inverno. Em uma live no Instagram, Natacha Ramsay-Levi, estilista da Chloé, defendeu a mudança. “Nós estamos deixando a criatividade se perder, é uma dicotomia porque o desfile é o que o mercado menos valoriza e o que nós gastamos mais energia para fazer”, contou.

O início da pandemia e paralisação da indústria só fez essa discussão crescer mais, pois agora estamos vendo que realmente não precisamos de várias coleções, isso chega a ser um fator até para apoiar a sustentabilidade e diminuir o consumismo desenfreado. Não é mais aceitável achar que precisamos mudar o guarda-roupa em cada estação e o mundo da moda está ficando ciente disso.

Em uma carta aberta divulgada pela Associação Brasileira de Estilistas (ABEST), eles decidiram alterar as datas e permanecer apenas com o lançamento de duas coleções em 2020. “Por que temos que seguir esse calendário, maluco das marcas de fast fashion? Porque depois de 15 dias o que está na arara ou na vitrine está velho e temos que expor e vender uma nova coleção? Nosso produto não é perecível nessa velocidade”, dizia a carta. Dessa forma, com apoio de feiras e showrooms, eles decidiram que o lançamento da coleção de verão deve ser feita a partir da segunda quinzena de junho até o dia 10 de julho, enquanto a de inverno foi programada para segunda quinzena de novembro.

Estilistas internacionais de marcas renomadas, como Giorgio Armani e Dries Van Noten, apoiam a mudança. Eles afirmam que essa é uma oportunidade para simplificar os negócios do mundo da moda, unindo a sustentabilidade com a necessidade dos clientes. Isso foi colocado em pauta em uma carta aberta assinada por 40 designers que pedem a alteração do calendário.

Apesar de ser uma mudança não tão perceptível para o público final, as mudanças de coleções fazem com que as pessoas consumam desnecessariamente. Não é à toa que antes das novas peças chegarem ao mercado, as marcas façam grandes liquidações. O público não precisa de tudo isso, é um desgaste da criatividade por parte dos designers, desgaste de produtos e matéria-prima pela indústria e um consumismo desnecessário para nós.

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