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Anne Francis Costa

Refém das emoções? O corpo é que paga

Psicóloga Clínica – Terapia Cognitiva Comportamental
CRP nº 04/56392
Graduada em Psicologia pelo Centro Universitário do Triângulo (Unitri).
A terapia busca tratar problemas psicológicos, emocionais e comportamentais.
Ela pode trazer enormes benefícios para o paciente: segurança nas decisões,
aumento da autoestima, autoconhecimento, desenvolvimento pessoal,
tolerância à frustração, superação de conflitos internos, superação de traumas
e abusos, motivação, melhora os relacionamentos interpessoais.

Dependência química, o que é, as causas, o tratamento

Enviado por: 05/05/2020

Vivemos numa sociedade em que o consumo de drogas e o número de usuários vêm crescendo a partir da segunda metade do século XX. A dependência química é um problema que vem recebendo atenção e mobilizando o sistema de saúde e a sociedade. Quando usada de forma abusiva e repetitiva sem o controle do consumo, a droga pode ocasionar dependência. A dependência pode ser de fundo biológico, psicológico ou social. Dessa forma, explica-se o motivo de muitas pessoas que utilizam drogas tornarem-se dependentes, pois a substância ingerida e sua conseqüente ação no sistema nervoso propiciaram ao indivíduo sensações prazerosas, ainda que momentâneas.
A Dependência Química é uma doença crônica, classificada entre os transtornos psiquiátricos, caracterizada por comportamentos impulsivos e recorrentes de utilização de uma determinada substância para obter a  sensação de bem estar e de prazer, aliviando sensações desconfortáveis como tensões, medos, aceitação social, de amenizar ansiedade, medos e outros.

Não basta identificar e tratar os sintomas, mas detectar as conseqüências e os motivos que levaram à mesma, pensando no indivíduo em sua totalidade, para poder oferecer ajuda necessária, gerando mudanças de comportamento em relação à questão da droga.

Os sintomas psíquicos e sociais decorrentes da dependência do fumo, por exemplo, são absolutamente menores do que aqueles da dependência ao álcool. Chama-se "fissura" o forte impulso ou compulsão incontrolável para usar a substância.

O consumo dessas substâncias psicoativas pode ser utilizado por pessoas de ambos os sexos, de todas as faixas etárias, independente do nível de instrução e do poder aquisitivo. A dependência química é uma doença que necessita de tratamento clínico, farmacológico e de intervenções com abordagem psicossocial, que olhe as necessidades de saúde do usuário e de sua família.A dependência química e as conseqüências do uso de substância psicoativas atingem o usuário, sua família, amigos e a sociedade em geral. E a família é o primeiro a ser afetado pela dependência, acarretando conseqüências sérias na saúde de seus membros e fragilizando as suas relações. É importante que o tratamento do dependente químico envolva a família, uma vez que o individuo pode estar representando um sintoma do sistema familiar.

O tratamento é algo prolongado e para romper o ciclo de dependência é muito difícil e delicado, pois os indivíduos dependentes vivem um sofrimento físico e psíquico intensos, tendo sua vida afetada, de seus familiares, amigos e a  sociedade. O atendimento a dependentes químicos envolve dois aspectos: a desintoxicação que tem a finalidade de retirada da droga e seus efeitos, e a  manutenção que reorganiza a vida do indivíduo sem o uso da droga.

Alguns fatores podem contribuir para a não adesão ao tratamento, que pode ser o abandono ou o uso de substâncias psicoativas durante o mesmo. A motivação pessoal e a expectativa quanto ao tratamento do dependente é fundamental para o sucesso do abandono do vício. É importante que o paciente entenda sua doença e permita a ser tratado e que ele possa conseguir criar estratégias de enfrentamento favorecendo a adesão ao abandono da
droga.

O tratamento é complexo, e o seu sucesso está ligado ao grau de motivação do indivíduo. A internação é parte do tratamento, e não uma única estratégia, ela é utilizada com o objetivo de desintoxicar e não implica na cura da dependência química, e é necessária quando o dependente apresenta sintomas de abstinência muito intensos, ou quando quadros psiquiátricos são desencadeados pelo uso excessivo de drogas. Após o período de internação (quando necessária), é de extrema importância a continuidade do tratamento pós-desintoxicação. O tratamento no período de internação é importante para a  recuperação, enfatizando que o ambiente permite aos usuários pensar e refletir sobre suas atitudes e hábitos. A dependência química é reconhecida como uma doença que atinge o indivíduo no campo biopsicossocial e as estratégias de seu tratamento busca o restabelecimento físico, psicológico e a  reinserção social do dependente.

O desejo de recuperar a família que se distanciou por causa de sua dependência, o medo de perder o amor da esposa, dos filhos e demais familiares, a perda de bens materiais e do emprego contribui para o desejo de tratamento. A família ainda é um fator de motivação para o tratamento e como influência para alguns usuários a tomarem a decisão de se tratarem. O trabalho também é visto por eles como uma maneira de ocupar a mente para não pensar na droga e não sentir vontade de usá-la. Alguns indivíduos demonstram que o fim da internação é à saída da dependência..

O acompanhamento de um psicólogo é de extrema importância para o tratamento da dependência química, e é preciso manter o indivíduo afastado das drogas, que será um desafio constante na vida do paciente. A participação
em grupos de apoio, como Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos, e de sua família em grupos respectivos, é importante no sentido de promover uma maior motivação e de fazê-lo entender que a dependência química não é um
problema que afeta apenas a sua vida. Ao  perceber que outros dependentes conseguem manter afastados das drogas, o paciente se sente motivado a conquistar o mesmo e aprende diferentes estratégias para lidar com o problema.

Em se tratando de dependência de drogas, uma única resposta não é possível. Sendo necessária a consideração de diversos fatores que configuram o problema e que estão para além da dimensão biológica do sujeito. A dependência química atinge negativamente diversos âmbitos da vida do indivíduo e tem como característica o início precoce na adolescência. Percebe- se que a primeira droga de uso foi o álcool e entende se que as drogas lícitas são utilizadas de forma indiscriminada pela sociedade em geral. Além disso, os meios de comunicação divulgam e estimulam o consumo de bebidas alcoólicas, ignorando o fato de causar dependência e incitar a utilização de drogas ilícitas. Para finalizarmos segue alguns tipos de drogas: ansiolíticos, anticolinérgicos, cocaína, ecstasy, LSD, anfetaminas, esteróides anabolizantes, maconha, tabaco, álcool, opiáceos .

Referências bibliográficas:
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SOUZA, A. M. Souza. Compreensões psicológicas sobre a dependência
química.Trabalho de conclusão de curso apresentado ao curso de Psicologia
do Centro Universitário Jorge Amado como requisito parcial para a obtenção do
título de Bacharel em Psicologia. Ano 2017.

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