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Anne Francis Costa

Refém das emoções? O corpo é que paga

Psicóloga Clínica – Terapia Cognitiva Comportamental
CRP nº 04/56392
Graduada em Psicologia pelo Centro Universitário do Triângulo (Unitri).
A terapia busca tratar problemas psicológicos, emocionais e comportamentais.
Ela pode trazer enormes benefícios para o paciente: segurança nas decisões,
aumento da autoestima, autoconhecimento, desenvolvimento pessoal,
tolerância à frustração, superação de conflitos internos, superação de traumas
e abusos, motivação, melhora os relacionamentos interpessoais.

Medo e ansiedade com a crise do coronavírus, como lidar com o desconhecido

Enviado por: 13/04/2020

A ansiedade pode se manifestar de várias formas: nervosismo, agitação, estado de alerta, não conseguir pensar em outra coisa; necessidade de ver e ouvir constantemente informações sobre o assunto; dificuldade para realizar tarefas diárias, dificuldades para dormir, estresse, solidão, frustração, tédio e/ou irritação, juntamente com sentimentos de medo e desespero, cujos efeitos podem durar ou aparecer mesmo depois do confinamento.

Além de fazer as pessoas se isolarem dentro de casa, a pandemia do novo coronavírus representa, uma ameaça à saúde física e mental. Os transtornos provocados pela doença e pelos riscos de contaminação podem ser trabalhados a partir de medidas simples do dia a dia, como manter a calma, estabelecer uma rotina e prestar atenção aos cuidados relacionados à prevenção da transmissão ajuda no equilíbrio emocional.

Buscar informações de fontes confiáveis é fundamental para lidar com o problema. Evite informações em excesso, estar conectado as redes sociais não o deixará mais bem informado e poderá aumentar desnecessariamente sua sensação de risco e nervosismo. Procure fazê-lo com dados confiáveis oferecidos pelos meios de comunicação oficiais e científicos e fuja de informações que não venham dessas fontes.

Pacientes com transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) ou ansiedade generalizada é uma população de risco psicológico no momento e muitas perguntas sobre a incerteza causada pelo coronavírus. Tanto para eles quanto para os outros é importante manter a calma, não se alarmar e seguir as recomendações das autoridades sanitárias.

Evite falar o tempo todo sobre o assunto, apoie-se na família e nos amigos, e tente levar uma vida normal na qual não se alimente o medo dos outros. Informe seus familiares de maneira realista no caso de menores e idosos, fornecendo explicações verdadeiras, adaptadas ao seu nível de compreensão.

Estamos assustados com algo que é novo para todo mundo. À medida que temos informações precisas e nos preencham um pouco mais sobre como lidar melhor com a situação, é evidente que haverá possibilidade de sair dessa condição de estar assustado e tentar entrar em contato com o problema numa condição de ação, e não
de se impactar e se paralisar.

É importante para as pessoas mais ansiosas, mais angustiadas diante de situações novas se afastarem um pouco dessas informações. As pessoas estão vivenciando um estresse a partir de um “inimigo invisível”, em que é preciso entender o que está se passando e verificar como podemos, nas nossas limitações, rever comportamentos aprendidos e que precisam ser reconstruídos. Por exemplo : lavar as mãos constantemente, cuidar da limpeza específica daquilo que está ao redor, não levar com freqüência as mãos ao rosto, etc , e que de repente, essas informações ficaram como foco.

É preciso criar outra rotina agora que você está dentro de casa, porque nós não sabemos por quanto tempo vamos ficar em nossas casas, nos resguardando. Procure dormir o máximo de horas que faça bem para o seu organismo. Acorde pela manhã tome um banho, troque de roupa como se estivesse se preparando para sair, tome seu café, e aí vai para um espaço onde se sinta melhor, seja na varanda, no quarto, na sala ou outro ambiente que você possa trabalhar com tranqüilidade.

Outra coisa importante é a perspectiva de olhar o outro que, neste momento, está junto de você. Famílias estão reunidas e acostumadas cada um no seu mundo de trabalho, e o tempo para ficar em casa era extremamente reduzido. Quando brincamos com as crianças ou cuidamos de uma pessoa mais idosa ou uma que requer mais cuidados, é a hora em que nos voltamos para o outro, nos esquecemos naquele momento das nossas próprias angústias. A partir do celular, pelo skype, você pode conversar com amigos, familiares, colegas, fazer novas amizades, ou quem sabe novos amores.

O que não pode é transformar essa situação específica em abandono. Podemos entregar um pouquinho à própria solidão, mas não podemos sentir abandonada, porque podemos sentir um sofrimento maior por estar só. Estar um pouco só não será tão ruim, tendo alguns momentos para si mesmo.

É importante se manter conectado com outras pessoas dentro de casa e até on-line. Crie uma rotina diária e aproveite para fazer as coisas que você gosta, mas que geralmente, por falta de tempo, não pode fazer (ler livros, assistir filmes, organizar a casa, etc.).

Quando sentir medo, lembre-se das experiências que você ou pessoas já tiveram em situações semelhantes ou parecidas. Talvez agora não associe isso por ter uma percepção de maior gravidade. Pense quantas doenças você e outras pessoas já superaram com sucesso na vida. Nossas experiências e traumas do passado podem vir de forma problemática nesse período extraordinário. O fato de termos vivido situações traumáticas (no caso que nos diz respeito, falaríamos de doenças próprias ou alheias ou de mortes de entes queridos) pode mudar a relação que temos com o nosso mundo emocional.

Para administrar a ansiedade diante do alarme sanitário, seria importante que cada um escutasse a mensagem do seu medo. Esse medo seria de se infectar e morrer, de se infectar e matar, de nossos entes queridos serem infectados, de perdas financeiras, de isolamento, de rejeição e outros. É importante conhecer esse medo: se é um medo antigo; se é novo ou se você aprendeu com alguém. Seja cauteloso e prudente sem se alarmar. E mantenha uma atitude otimista e objetiva.

Referências bibliográficas:

https://www.folhape.com.br/noticias/noticias/coronavirus/2020/03/21/nws,13434
3,70,1668,noticias,2190-informacao-essencial-para-manter-calma-pandemia-
diz-psicologa.aspx.

https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2020/03/16/coronavirus-
como-segurar-a-ansiedade-diante-de-tanta-informacao.htm

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