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Anne Francis Costa

Refém das emoções? O corpo é que paga

Psicóloga Clínica – Terapia Cognitiva Comportamental
CRP nº 04/56392
Graduada em Psicologia pelo Centro Universitário do Triângulo (Unitri).
A terapia busca tratar problemas psicológicos, emocionais e comportamentais.
Ela pode trazer enormes benefícios para o paciente: segurança nas decisões,
aumento da autoestima, autoconhecimento, desenvolvimento pessoal,
tolerância à frustração, superação de conflitos internos, superação de traumas
e abusos, motivação, melhora os relacionamentos interpessoais.

Morte: como lidar com o luto

Enviado por: 08/11/2019

A morte ainda é vista como um tabu e as pessoas não estão preparadas para lidar com ela, o que torna mais difícil e delicada a aceitação do encerramento do ciclo da vida. É um assunto do qual não podemos fugir, pois mais cedo ou mais tarde vamos nos deparar com isso em nossas vidas.

A morte gera medo, medo do desconhecido, que pode levar a dores físicas, emocionais e psicológicas. Ela pode desencadear ou gerar uma sensação de fragilidade, não só para quem está morrendo, mas também para os familiares, amigos, etc. É um momento complicado de ser enfrentado. O rompimento do vínculo afetivo, o grau de aceitação, o tipo de morte repentina ou não, são essenciais na elaboração dessa perda.

Quando ocorre a perda devido a uma morte natural e esperada, as pessoas possuem um tempo maior para se prepararem e até se conformam mais rapidamente com a partida do ente querido.

Nas perdas repentinas, o processo de elaboração do luto se torna mais complexo, devido ao elemento surpresa, sem sinais, sem indício. Essas mortes são, por exemplo: um AVC (Acidente Vascular Cerebral), acidentes automobilísticos, suicídio, etc. As pessoas próximas ficam tentando encontrar os porquês, os detalhes das mortes (como foi, onde foi), sendo fundamental para aliviar a dor, ansiedade e confusão do enlutado.  Pode gerar para o enlutado problema psicológico como a depressão e a ansiedade.

A morte ocorrida de maneira brusca e repentina tem uma potencialidade de paralisação, desorganização, impotência, desesperança e desamparo.

É importante apontar o quão difícil se torna a aceitação, a fase de readaptação em preencher o vazio que a pessoa querida deixou. A elaboração de outras perdas anteriores e as crenças relativas à morte também podem ser fatores que interferem no luto.

Citaremos os cinco estágios do luto: a negação e o isolamento, a raiva, a barganha, a depressão e a aceitação.

Negação e o isolamento : servem como um mecanismo de defesa temporário, um para-choque que alivia o impacto da notícia, uma recusa a confrontar-se com a situação.

Raiva : é o momento em que as pessoas colocam pra fora a revolta que estão sentindo. Há também a procura de culpados e questionamentos, tal como: “Por que ele?”, com o intuito de aliviar o imenso sofrimento e revolta pela perda.

Barganha : é uma tentativa, de negociar ou adiar os temores diante da situação; as pessoas buscam firmar acordos com figuras que segundo suas crenças teriam poder de intervenção sobre a situação de perda. Esses acordos e promessas são direcionados a Deus e mesmo aos profissionais de saúde que a acompanham.

Depressão reativa : ocorre quando surgem outras perdas devido à perda por morte, por exemplo, a perda de um emprego e, consequentemente, um prejuízo financeiro, como também a perda de papéis do âmbito familiar. Já a depressão preparatória é o momento em que a aceitação está mais próxima, é quando as pessoas ficam quietas, repensando e processando o que a vida fez com elas e o que elas fizeram da vida delas.

Aceitação : é onde as pessoas encontram-se mais serenas frente ao fato de morrer. É o momento em que conseguem expressar de forma mais clara sentimentos, emoções, frustrações e dificuldades que as rodeiam.

Existem quatro fases do luto: o entorpecimento, o anseio, a desorganização\desespero e a reorganização.

Quando as pessoas são noticiadas a respeito da perda, passam por uma fase de choque e negação da realidade, ficam extremamente aflitas, que tem duração de horas a uma semana essa fase é o entorpecimento.

O anseio é marcado pelo desejo de recuperar o ente querido, de trazê-lo de volta. Há buscas frequentes e espera pela aparição do morto; o enlutado passa a ter sonhos com ela e muita agitação.

A culpa e ansiedade são manifestadas após o enlutado compreender a morte :  o desespero e desorganização, sentimentos de raiva e tristeza é encontrado, pois a pessoa se sente abandonada pela pessoa que partiu e incapacitada de fazer algo.

Depois que a pessoa tiver passado por momentos de raiva, choque, tristeza, entorpecimento, é que vai conseguir se restabelecer. Embora com a saudade presente, e ainda se adaptando às modificações causadas pela perda, poderá retomar suas atividades, completando a última fase do luto que é a reorganização.

O luto é o processo inevitável de elaboração de uma perda e que todas as pessoas que perdem um ente querido tendem a passar por isso. Possui um vasto leque de sentimentos, mudanças que invadem e interferem no funcionamento emocional de uma pessoa.

A perda de um ente querido é um fator gerador de muito estresse; se não for processada de uma forma funcional, pode trazer inúmeras repercussões na vida de um indivíduo. O processo do luto tende a causar desconforto, alterar funções, aumentar níveis de ansiedade, em potencial maior para aqueles que presenciaram o momento em que o ente faleceu.

O melhor sempre é recorrer a um profissional, pois este tende a priorizar o acolhimento e a escuta ao paciente enlutado. Podendo contribuir para o alívio dos sintomas gerados pela perda.

BASSO, L. A. ; WAINER, R. Luto e perdas repentinas: Contribuições da Terapia Cognitivo-Comportamental. Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, 2011.

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