Colunistas

avatar
Anne Francis Costa

Refém das emoções? O corpo é que paga

Psicóloga Clínica – Terapia Cognitiva Comportamental
CRP nº 04/56392
Graduada em Psicologia pelo Centro Universitário do Triângulo (Unitri).
A terapia busca tratar problemas psicológicos, emocionais e comportamentais.
Ela pode trazer enormes benefícios para o paciente: segurança nas decisões,
aumento da autoestima, autoconhecimento, desenvolvimento pessoal,
tolerância à frustração, superação de conflitos internos, superação de traumas
e abusos, motivação, melhora os relacionamentos interpessoais.

O que dizer da solidão

Enviado por: 13/12/2019

No dicionário solidão é: Uma profunda sensação de vazio, de isolamento, sensação de desconexão.

É preciso compreender que a solidão é natural e perfeitamente saudável. É um sentimento onde todos nós já nos deparamos ao longo da vida. O ser humano precisa de momentos solitários para fazer uma autorreflexão sobre seus atos, descansar e até mesmo dar valor aos seus relacionamentos.  Somos uma espécie social e está na nossa natureza o reconhecimento, a interação e o estabelecimento de relações com os nossos semelhantes.

Um aspecto fundamental das relações humanas é o grau em que um indivíduo está socialmente isolado (isolamento social – é estar só) ou se sente socialmente isolado (solidão – é sentir só). O isolamento social condiz a um número reduzido de interações sociais e relacionamentos. Já a solidão, é um sentimento complexo, subjetivo, resulta da percepção desagradável, é um estado de vazio interior, com tédio e insatisfação. Esse sentimento negativo pode ser útil em alguns momentos, pois motiva a renovação das ligações sociais.

A solidão atinge pessoas de todas as idades, raças, nível social, religiões, e trata-se de uma terrível experiência que se encontra presente na vida de muitas pessoas. Estamos vivendo numa sociedade composta por homens e mulheres absolutamente solitários. E verifica-se que a maior prevalência de solidão é o sexo feminino.

Consideramos que existem pessoas que têm preferência por passar mais tempo sozinhas e ter uma rede social reduzida, sem que se sintam sozinhas.  É difícil avaliar o grau em que o indivíduo se sinta sozinho.

A solidão pode ser encarada com os efeitos negativos em termos de bem-estar, saúde física, psicológica e social. É semelhante aos estímulos desagradáveis como a sede ou a dor física. Podendo constituir uma fonte de grande sofrimento, comprometendo o sono, a saúde mental, física, a redução da qualidade de vida. É um quadro triste que fragiliza e desumaniza o homem e produz amargura e tristeza.

A solidão associa-se a um aumento do risco de ideação suicida ou de tentativas de suicídio. Esta relação é particularmente evidente nas pessoas com patologia psiquiátrica, e também se observa na população geral.

A presença de companhia é essencial na vida do individuo, mas a simples presença de outros não faz com que o individuo se sinta acompanhado. Normalmente os sentimentos mais fortes de solidão ocorrem quando o individuo está acompanhado.

Quando se sente solitário ou com um medo desse sentimento é necessário fazer um mapeamento a fim de descobrir quando ele aparece com mais intensidade, em quais situações está presente e quando desaparece. Identificar o sentimento irá auxiliar na busca de autoconhecimento e a lidar melhor com os momentos de solidão.

Todos os indivíduos precisam de contato. O ser humano é movido por relacionamentos e uma vida social é essencial  para que sejamos plenos. Vida social  não é o mesmo que um relacionamento forçado apenas para não se sentir sozinho. Se você sente que pode estar apresentando sintomas de fobia social, de depressão e ansiedade, pois se sente muito solitário, algo está errado.

Procure um psicólogo e ele irá te auxiliar a descobrir de onde vem esse sentimento de solidão e todos os outros que costumam acompanhá-lo.

 

Referências Bibliográficas:

RODRIGUES, Ricardo M. Solidão, Um fator de Risco. Rev Port Med Geral Fam 2018;34:334-8.

ÁVILA, Renato Nogueira Perez, Um estudo da solidão humana e sua explicação nas ciências psíquicas e na teologia – Um estudo comparativo.

Comentários...