Colunistas

avatar
Anne Francis Costa

Refém das emoções? O corpo é que paga

Psicóloga Clínica – Terapia Cognitiva Comportamental
CRP nº 04/56392
Graduada em Psicologia pelo Centro Universitário do Triângulo (Unitri).
A terapia busca tratar problemas psicológicos, emocionais e comportamentais.
Ela pode trazer enormes benefícios para o paciente: segurança nas decisões,
aumento da autoestima, autoconhecimento, desenvolvimento pessoal,
tolerância à frustração, superação de conflitos internos, superação de traumas
e abusos, motivação, melhora os relacionamentos interpessoais.

O que é essa tal felicidade?

Enviado por: 19/11/2019

Muitas são as definições de felicidade, a maioria faz menção a um estado emocional positivo, com sentimentos de bem-estar e prazer.
O dicionário Aurélio da Língua Portuguesa define a felicidade: sensação real de satisfação plena; estado de contentamento, de satisfação. Condição da pessoa feliz, satisfeita, alegre, contente.

Na filosofia, Sócrates inicia um paradigma a partir do qual buscar ser feliz é uma tarefa do indivíduo.  Já Aristóteles, conclui que os objetivos perseguidos pela humanidade – como a beleza, a riqueza, a saúde e o poder eram formas de atingir a felicidade, sendo que o poder era a única virtude buscada por um bem por si mesma.

Já nos tempos atuais, a felicidade é considerada um valor tão precioso e inegável. Todo homem tem o direito a ser livre, a vida e a buscar pela felicidade.

Experiências e estados podem produzir a felicidade, como: o amor, a alegria, a saúde, a saciedade, o prazer sexual, o contentamento, a segurança e a serenidade.  E os estados afetivos como: a ansiedade, a angústia, a dor, o sofrimento e além das emoções como: a tristeza, o medo, a raiva, o nojo, costumam diminuir a felicidade.

A felicidade requer uma maneira de viver, colocando todos os processos humanos que regulam os aspectos: sexuais, materiais, emocionais, intelectuais e espirituais da vida. Esses aspectos podem ser adaptativos ou não, dependendo do grau de consciência que as pessoas têm de seus objetivos e valores. O grau de pensamentos e relacionamentos humanos pode ser medido em quantos estes seriam capazes de conduzir à harmonia e à felicidade.

O gênero é uma característica que não indica a felicidade. Embora as mulheres sejam mais propensas a transtornos ansiosos e depressivos, isso não significa que um gênero se sobressai ao outro no quesito felicidade.

O estado civil tem pouca influência na felicidade ou estar feliz. A felicidade não está no estado civil seja solteiro, casado, separado.

Um fator associado ao maior índice de felicidade e compromisso é com a fé, por meio da religiosidade ou espiritualidade. As pesquisas atestam que pessoas que se descrevem como religiosas ou espiritualistas tendem a mencionar maior índices de felicidade e satisfação com a vida. A explicação é que as pessoas parecem lidar melhor com eventos adversos no decorrer da vida como desemprego, doenças ou luto, por acreditar que a espiritualidade provê um sentido, e um propósito de vida E por outro aspecto participam de grupos e se sentem menos solitários, e consequentemente se sentem mais felizes.

Os índices de felicidade costumam ser permanentes ao longo do tempo de vida de cada individuo, dependendo menos de fatos externos. As pessoas reagem a fatos bons ou ruins, e buscam adaptar-se rapidamente, voltando para um nível de felicidade relativamente estável e semelhante do que era antes.

Um aspecto psicológico que está associado com índices altos de felicidade é a gratidão. Pessoas que reportam uma frequência aumentada desse sentimento têm maiores índices de afetos positivos, bem estar e felicidade.

Pessoas mais felizes declaram com maior frequência de afetos positivos, mas não maior intensidade. Buscar sentimentos relacionados a novos acontecimentos como exemplo: na carreira ou nas relações amorosas, conduz muito mais para a decepção do que para a felicidade. A felicidade é uma condição que difere da ausência de infelicidade.

Nos dias de hoje, as pessoas sentem que suas vidas estão sendo desperdiçadas, e que, em fez de felicidade, elas estejam cheias de tédio, de ansiedade e insatisfação. Os valores atuais da grande maioria apontam para a crença de que para sermos mais felizes temos que ser mais ricos, nos vestirmos na moda, consumirmos determinados produtos, etc. A felicidade não está ligada a aspectos financeiros, sucesso profissional, ter amigos, ter poder, etc.

A felicidade é um fenômeno subjetivo, estando subordinada ao temperamento e postura perante a vida do que propriamente a fatores externos determinados.

Tentar definir o que é felicidade, colocando em palavras esse sentimento tão maravilhoso, é difícil e complexo de explicar. Felicidade é aquele momento de vida que vale a pena ser vivido, de estar de bem com a vida, com você mesma, rir das coisas simples e não fazer dos problemas um campo de batalha.

“Essa tal felicidade, hei de encontrar. Mesmo se eu tiver que procurar, se eu tiver que esperar. De uma coisa eu não desisto, sou fiel não abro mão” (Tim Maia).

Referência bibliográfica:

Ferraz, R.B. et al. / Rev. Psiq. Clín 34(5); 234-242, 2007

Comentários...