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Anne Francis Costa

Refém das emoções? O corpo é que paga

Psicóloga Clínica – Terapia Cognitiva Comportamental
CRP nº 04/56392
Graduada em Psicologia pelo Centro Universitário do Triângulo (Unitri).
A terapia busca tratar problemas psicológicos, emocionais e comportamentais.
Ela pode trazer enormes benefícios para o paciente: segurança nas decisões,
aumento da autoestima, autoconhecimento, desenvolvimento pessoal,
tolerância à frustração, superação de conflitos internos, superação de traumas
e abusos, motivação, melhora os relacionamentos interpessoais.

O que é transtorno bipolar?

Enviado por: 06/03/2020

O transtorno bipolar é uma doença que causa alterações no comportamento e leva uma pessoa a oscilar entre momentos de felicidade e depressão. As chamadas “oscilações de humor” que alternam entre a mania (estado eufórico) para um estado depressivo. A intensidade do quadro pode ser leve, moderada ou grave.

O conceito de bipolaridade consiste na permanência no estado de euforia ou sintomas depressivos por um período superior a três semanas e de forma constante e progressiva.

Ainda que o transtorno bipolar seja uma condição que não tem cura, é possível ter uma vida normal mesmo tendo a doença e controlar as alterações de humor com medicamentos específicos e acompanhamento psicológico (psicoterapia).

Existem diferentes tipos de transtorno bipolar e todos eles afetam os níveis de humor, energia e eficiência do indivíduo. É possível que a pessoa manifeste estados de humor variados, que podem ser extremamente enérgicos (conhecidos como episódios maníacos) ou muito tristes e sem energia (fase depressiva). Podem ocorrer estados mais brandos, também conhecidos como hipomania. Os episódios de alteração de humor podem acontecer em espaços de tempo variados, raramente ou várias vezes ao ano.

A euforia ou mania é uma das fases do transtorno bipolar e caracteriza-se por um estado de exaltação do humor, com aumento de energia. O indivíduo não percebe a sua alteração ou a atribui a algum fator do momento. Nesse período do transtorno bipolar, o paciente não está deprimido e nem alegre por um motivo especial, mas apresenta humor eufórico, irritável, arrogante ou mania de grandeza.

Hipomania é outra fase que seria um estado de mania mais leve e que traz menos prejuízo. Muitos pacientes, quando estão entrando em hipomania (podendo evoluir para a mania ou não) são resistentes quanto a manter o tratamento e muitas vezes param com a medicação, o que se torna um grande problema para estabilizar o transtorno.

Existe a depressão bipolar tipo 1, que é intercalada com episódios de mania, o paciente apresenta ciclos definidos, no qual é possível identificar pelo menos um episódio maníaco e períodos de depressão profunda.

E a depressão bipolar tipo 2, não possuem ciclos de oscilação tão definidos quanto os pacientes tipo 1. As mudanças de humor são mais sutis. É importante dizer que nesse ciclo o paciente não atinge a mania completa e manifesta com mais frequência episódios de depressão.

Os principais sinais do transtorno bipolar são: distrair-se facilmente, redução da necessidade de dormir, capacidade de discernimento diminuída, pouco controle do temperamento, compulsão alimentar, beber demais e/ou uso excessivo de drogas, manter relações sexuais com muitos parceiros, gastos excessivos, hiperatividade, aumento de energia, pensamentos acelerados que se atropelam, fala em excesso, autoestima muito alta, grande agitação ou irritação, e o risco de tentativas de suicídio em pessoas com transtorno bipolar é grande.

Alguns fatores podem contribuir para o desenvolvimento de transtorno bipolar : um desequilíbrio entre os neurotransmissores, desequilíbrio hormonal, histórico familiar da doença, estresse intenso, e outras experiências traumáticas (como a morte de algum ente querido), ter entre 15 e 25 anos. E homens e mulheres possuem as mesmas chances de desenvolver a doença. E muitas vezes são difíceis de identificar e diagnosticar, pois pode aparecer com sintoma de outras doenças e pode ocorrer em paralelo com outros problemas, como abuso de substâncias.

Os sintomas do transtorno bipolar na fase depressiva são: desânimo diário ou tristeza, dificuldade de se concentrar, de lembrar ou de tomar decisões, perda de peso e perda de apetite, comer excessivamente e ganho de peso, fadiga ou falta de energia, sentir-se inútil, sem esperança ou culpado, perda de interesse nas atividades que antes eram prazerosas, baixa autoestima, pensamentos sobre morte e suicídio, problemas para dormir ou excesso de sono, afastamento dos amigos ou das atividades que antes eram prazerosas.

Em alguns casos, as duas fases se sobrepõem. Os sintomas maníacos e depressivos podem ocorrer juntos ou rapidamente um após o outro, isso recebe o nome de estado misto.

Todos podem apresentar oscilações no estado de humor devido a fatores externos e até os fatores de ordem interna (como a TPM nas mulheres). Porém essas oscilações não configuram necessariamente em um quadro de bipolaridade. É possível acordar bem e, ao final da tarde, estar de mau.

O tratamento inclui o uso de medicamentos, psicoterapia e mudanças no estilo de vida, tais como o fim do consumo de substâncias psicoativas, (cafeína, anfetaminas, álcool e cocaína, por exemplo), o desenvolvimento de hábitos saudáveis de alimentação e sono e redução dos níveis de estresse. A psicoterapia é outro recurso importante no tratamento da bipolaridade, uma vez que oferece suporte para o paciente superar as dificuldades impostas pelas características da doença, ajuda a prevenir a recorrência das crises e, especialmente, promove a adesão ao tratamento medicamentoso que, como ocorre na maioria das doenças crônicas, deve ser mantido por toda a vida.

Os períodos de depressão e mania voltam a ocorrer na maioria dos pacientes, mesmo sob tratamento. Os principais objetivos da terapia para transtorno bipolar são: evitar a alternância entre as fases, evitar a necessidade de hospitalização, ajudar o paciente a agir da melhor maneira possível entre os episódios, impedir comportamento autodestrutivo e suicídio, reduzir a gravidade e a freqüência dos episódios, a psicoterapia é outra parte vital do tratamento de transtorno bipolar.

Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique.

A atividade física regular e moderada pode ajudar a estabilizar o humor, trabalhar fora de casa libera substâncias químicas no cérebro chamadas endorfinas que fazem se sentir bem e que podem ajudar a dormir, além de trazerem uma série de outros benefícios. Dormir o suficiente é essencial para controlar as oscilações de humor.

É importante que não exista qualquer discriminação ou rótulo do tipo: “você é doente”, “você é um bipolar”, “não dá para confiar, pois nunca sabemos quando vai adoecer” e outras observações negativas neste sentido.

Os cuidados básicos são conduzi-lo a uma vida normal, sendo suporte nos períodos de crise ou de surto e ajudando na reinserção social logo que a crise seja controlada. Estarem atentos aos possíveis “gatilhos” desencadeadores, acompanhá-lo e incentivá-lo a um tratamento seguro e eficaz.

A família precisa ser orientada sobre como lidar no dia a dia com os portadores do transtorno, talvez precise também de acompanhamento psicoterápico, porque o distúrbio pode afetar todos que convivem diretamente com o paciente.

Referências bibliográficas

Gabriela Tizeli, psicóloga com pós-graduação na PUCRS: mestrado em Neurociências e Ciências da Saúde

Carlos César Petruy, psicólogo pela Faculdade Evangélica do Paraná

Persio Ribeiro Gomes de Deus, psiquiatra credenciado pelo Hospital Albert Einstein, pesquisador na área de Neurociências pelo MackPesquisas e pelo CNPQ

Evelyn Vinocur, psiquiatra com título de Especialista em Psiquiatria e Especialista em Psiquiatria (UERJ) e mestre em Neuropsiquiatra (UFF)

Mario Louzã, psiquiatra e doutor em Medicina pela Universidade de Würzburg (Alemanha)

Jessye Cantini, psicóloga e mestre em Saúde Mental (Instituto de Psiquiatria/UFRJ), especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (CPAF-RJ/AVM)

Diego Tavares psiquiatra e pesquisador do Hospital das Clinicas de São Paulo

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