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Anne Francis Costa

Refém das emoções? O corpo é que paga

Psicóloga Clínica – Terapia Cognitiva Comportamental
CRP nº 04/56392
Graduada em Psicologia pelo Centro Universitário do Triângulo (Unitri).
A terapia busca tratar problemas psicológicos, emocionais e comportamentais.
Ela pode trazer enormes benefícios para o paciente: segurança nas decisões,
aumento da autoestima, autoconhecimento, desenvolvimento pessoal,
tolerância à frustração, superação de conflitos internos, superação de traumas
e abusos, motivação, melhora os relacionamentos interpessoais.

Rótulos

Enviado por: 03/02/2020

(Imagem: Reprodução)

A maneira como o indivíduo se vê em relação ao mundo serve como uma direção para todos os seus comportamentos durante a vida.

Quando nascemos somos inundados com vários tipos de rótulos. Começamos a ouvir com quem nos parecemos ou como nos portamos e o que seremos quando crescer.

A construção de nossa identidade não acontece quando nascemos, mas em um processo que dura por alguns anos em nossa infância e adolescência. E a interferência na construção de nossa identidade pode ser sentida em nossa autoimagem e autoestima.

Se buscar na memória podemos identificar comentários, apelidos ou frases que marcaram nossa percepção sobre nós mesmos, de forma negativa ou positiva. Acabamos repetindo um comportamento violento que aprendemos ainda pequeno: julgar uns aos outros.

O termo rotulado significa: o que possui rótulo, o que é etiquetado ou tachado. Assim como as pessoas buscam orientar-se pelas etiquetas como identificação dos produtos, os indivíduos acometidos por rótulos são “rotulados”, como se fossem “etiquetados”, como portadores de um perfil e identidade aplicados a eles.

O rótulo é uma visão distorcida que direciona a uma “identidade” inadequada, que oprime, restringe e é feita sem o consentimento do outro. O termo “rótulo” envolve um conteúdo maior do que características em específico: gorducho, magrelo, narigudo, lerdo, etc, pelos quais o outro, é classificado, julgado ou apontado.

O rótulo ocorre de maneira agressiva, intencional, “inofensiva” e/ou de maneira velada e inconsciente, em que, o “rotulador” não tem noção ou não se dá conta dos efeitos de sua ação. A rotulação é dolorosa e perigosa de ser vivenciada, porque o “rotulado” passa a aderir à ideia de desajustamento ou inadequação e raramente reivindica as “acusações” e “insinuações” que induzem a atribuição de seu rótulo.

Durante a infância as pessoas passam a projetar uma imagem de si como, “vencedoras” ou “perdedoras”. É reforçado pela família e por terceiros através de ações que resgatam lembranças inconscientes, de atitudes tomadas especialmente pelos pais. Expor a rótulos na adolescência é preocupante, por ser o período mais intenso na formação da identidade, onde os jovens apegam-se a julgamentos dos outros.

Por ser portador destes tipos e formas de rótulos durante o adolescer, no que se refere aos colegas e amigos, se torna um grande peso para os adolescentes, e pode resultar na formação de uma identidade equivocada, mal estruturada, e no aflorar da baixa-estima em conjunto a fortes sentimentos de inadequação.

O ato de rotular além de amparado pela postura e olhar desqualificador, ocorre por meio de palavras destrutivas constantes lançadas ao “rotulado” como: você é assim mesmo, nunca faz nada direto, ele sempre foi meio lerdo, e outros. Quase nunca é possível ao “rotulado” demonstrar suas capacidades, mudanças ou esforços em se superar, já que este é taxado pelo “rotulador”.

O uso de “rótulos” e olhares que determinam uma pessoa como : preguiçoso, agitado, lento, avoado incapaz, e outros, interferem nas ações e inter-relações. E podem levá-los a “contaminarem-se” pelo julgamento dos outros, fazendo-os compreender-se como são julgados, devido a constante espera e reforço de que venham a agir de acordo com o olhar pré-estabelecido lançado sobre eles.

A aplicação dos rótulos e suas afirmações originam-se de uma postura e ideia rígida, aderida pelo “rotulador” de que o “rotulado” sempre acabará de alguma forma a comprovar o seu julgamento, no qual, não se admite qualquer ação, erro ou deslize que lembre o que deu origem ao rótulo. O acusador tem por hábito estar sempre comparando as atitudes cotidianas, como justificativa do seu julgamento atual e da certeza de que a um sinal de credibilidade, e sua vítima irá fracassar e se mostrar não merecedora de qualquer expectativa positiva ou oportunidade.

O objetivo é instigar a análise da repercussão dos rótulos e suas influências na construção da identidade e autoimagem. O papel do psicólogo é intervir como mediador na desconstrução de rótulos e na reflexão da mesma. É necessário propiciar o ambiente adequado não existente de reestruturação da identidade, para a vítima de rotulação poder adquirir condições suficientes para o combate aos rótulos e reivindicar sua verdadeira posição, no que se refere à própria identidade.

Dar o primeiro passo é mudar a forma de ver os outros, trazendo mais empatia em nossas falas. Que tal olhar para outro e ampliar sua visão para além de suas falhas? Coloque-se no lugar do outro.

Referência bibliográfica:

ALVES, Gabriela M. Rótulos e adolescência. A Construção da Identidade do Adolescente e a Influência dos Rótulos na mesma. Curso de Psicologia da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC. Criciúma, Julho de 2008.

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