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Anne Francis Costa

Refém das emoções? O corpo é que paga

Psicóloga Clínica – Terapia Cognitiva Comportamental
CRP nº 04/56392
Graduada em Psicologia pelo Centro Universitário do Triângulo (Unitri).
A terapia busca tratar problemas psicológicos, emocionais e comportamentais.
Ela pode trazer enormes benefícios para o paciente: segurança nas decisões,
aumento da autoestima, autoconhecimento, desenvolvimento pessoal,
tolerância à frustração, superação de conflitos internos, superação de traumas
e abusos, motivação, melhora os relacionamentos interpessoais.

Síndrome do pânico

Enviado por: 13/10/2020

Estamos numa era de muito estresse, insegurança, desgaste e medo. O medo tem sido um sentimento presente. É natural que a dificuldade de lidar com o medo apareçam como uma das expressões das fragilidades individuais.

Acompanhamos, quase que em tempo real, os acontecimentos do mundo, especialmente os acontecimentos trágicos. Recebemos constantes indícios da fragilidade de nossa segurança física e emocional. Estes indícios apontam para a imprevisibilidade e insegurança em relação futuro próximo. Essa é a cara da síndrome do pânico: a sensação apavorante de que algo muito ruim pode vir a acontecer a qualquer momento. A palavra “síndrome” significa “reunião de sinais e sintomas que ocorrem em conjunto e que caracterizam uma doença ou uma perturbação”.

Na medida em que uma pessoa vivencie uma primeira crise de pânico, ela aprende que existe esta possibilidade e que é ruim e paralisadora. A ameaça existe apesar de não ser visível. E pior, a ameaça está dentro da própria pessoa, não tem como fugir das próprias sensações físicas. É uma espécie de medo de ter medo.

A crise de pânico se dá a partir do entrelaçamento de pensamentos e com isso surge uma espécie de reação em cadeia. A pessoa passa a identificar praticamente qualquer sensação interna como início de uma crise. As mais
comuns são de morte, loucura eminente, ritmo cardíaco acelerado, tremores, náusea, falta de ar e outros. A insegurança em relação ao instante seguinte é assustadora e quanto mais aterrorizante são as cenas imaginadas, maiores as alterações fisiológicas resultantes. Normalmente estas pessoas já vêm apresentando uma série de outros
sintomas como gastrite, alergias entre outras e não escutaram estes sintomas de modo a pararem para se cuidar a partir deles.

Uma das sugestões para o tratamento é a terapia. A pessoa chega à terapia suportando a vida, sobrevivendo e com ajuda terapêutica, resgata a possibilidade de voltar e de ter prazer ao viver. Quando inicia a terapia, ela se encontra num estado de tensão permanente. Após superar o período em que as crises têm uma grande incidência, a maioria das pessoas se mantém em terapia mais algum tempo, não mais pelo sofrimento, mas por terem aprendido a importância de se conhecer melhor e de cuidar dos próprios limites.

Outra sugestão para o tratamento é que as pessoas busquem estar fazendo alguma atividade física. A atividade física faz com que o organismo produza uma série de substâncias que são antidepressivas e trazem um efeito positivo. Antes se iniciar uma atividade física procure o médico para fazer os exames necessários.

Com início do processo terapêutico e da atividade física após algumas semanas, pode ser avaliada a necessidade ou não, do uso da medicação. Em alguns casos a medicação não é utilizada. Num curto espaço de tempo a pessoa começa a perceber seus ganhos e opta por não fazer uso de medicação. A medicação nesses quadros funciona como um paliativo. Não atua nos fatores geradores do quadro. O que vai modificar os fatores geradores de um quadro de pânico são o aprendizado e o autoconhecimento.

Outra sugestão é a busca de controlar o descontrole. Que a pessoa busque registrar a ocorrência das crises e suas alterações de humor. Na medida em que as pessoas observam certos padrões na ocorrência das crises, conseguem informações importantes. Por exemplo, se as crises surgem quando estão mal alimentadas, ou em que dias da semana essas crises costumam acontecer, que características têm em comum esses dias, entre outras.

Na saída do quadro de pânico, o que nós vamos observar é que, aos poucos, as crises vão se espaçando, até que desapareçam. Como a vivência da crise é muito marcante, se a pessoa não registra o espaçamento das mesmas, muitas vezes ela não se dá conta deste processo. Existem dois estilos de personalidade propensa a síndrome do pânico,uma das personalidades é as pessoas classificadas com o complexo de super-homem. São pessoas que não têm limites, tentam dar conta de tudo, são a referência familiar, ao surgir um problema elas são acionadas, elas não
sabem dizer não, se voltam para o outro e com isso perdem a referência dos próprios limites. Não existe espaço para o prazer pessoal. O indivíduo vive a crise de pânico de forma solitária, escondendo das pessoas ao redor o próprio sofrimento.

A outra personalidade são pessoas que desenvolvem vínculos de dependência. Buscam suporte no outro, se sentem incapazes de andar com as próprias pernas, elas também perdem a noção de seus próprios limites, porém de forma intencional. Preferem abrir mão da direção de suas próprias vidas. A responsabilidade das escolhas é vivida como algo pesado demais. Tendem a só escutar as próprias necessidades, são impotentes e a ser cuidado. Sempre tem uma ou mais pessoas que sabem do quadro e que funcionam como uma espécie de bengala para ela.

O estilo super-homem tem mais facilidade de sair mais rápido do quadro de pânico do que o dependente. Primeiro pela tendência que tem de se responsabilizar por seus problemas, segundo porque o quadro de pânico não se encaixa com seu estilo de personalidade.

O quadro de pânico não vem do nada. Ele surge como indício de algum tipo de desequilíbrio. Algo na forma como essa pessoa lida com sua realidade, algo na postura que essa pessoa tem diante de seu mundo não está trazendo o retorno necessário. Escutar este sintoma e aprender com ele, é o que de mais importante se tem a fazer num processo terapêutico. O processo terapêutico passa por uma cuidadosa busca de compreensão da coerência da fragilidade evidenciada pelo quadro de pânico, com as características da postura que esta pessoa tem diante da vida.

Uma das dificuldades encontradas com freqüência as recomendações necessárias no tratamento e na melhora do quadro da síndrome, não são seguidas corretamente: é que a pessoa inicie uma atividade física e ela não inicia a atividade, deixam de ir a terapia e a cumprir com as tarefas que o terapeuta sugeriu, não tomam a medicação corretamente, etc.

A síndrome do pânico e uma experiência muito intensa e sofrida. Passar por um quadro como este é passar por uma verdadeira crise. Buscar ajuda o quanto antes é importante para o tratamento e na recuperação. Fale com um psicólogo, ele te ajudará nesse processo.

Referências Bibliográficas:
SALUM Giovanni A. ; BLAYA, Carolina ; MANDRO, Gisele G.. Transtorno do
pânico. Rev Psiquiatr RS. 2009;31(2):86-94.
http://www.igt.psc.br/Gestalt-Terapeutas/Marcelo_Pinheiro.htm . Clínica da
síndrome do pânico. Julho/2004

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