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Anne Francis Costa

Refém das emoções? O corpo é que paga

Psicóloga Clínica – Terapia Cognitiva Comportamental
CRP nº 04/56392
Graduada em Psicologia pelo Centro Universitário do Triângulo (Unitri).
A terapia busca tratar problemas psicológicos, emocionais e comportamentais.
Ela pode trazer enormes benefícios para o paciente: segurança nas decisões,
aumento da autoestima, autoconhecimento, desenvolvimento pessoal,
tolerância à frustração, superação de conflitos internos, superação de traumas
e abusos, motivação, melhora os relacionamentos interpessoais.

Suicídio – Setembro amarelo

Enviado por: 13/09/2020

Setembro Amarelo é uma campanha brasileira de prevenção ao suicídio, iniciada em 2015. Durante o mês da campanha, costuma-se promover eventos que abram espaço para debates sobre suicídio e divulgar o tema alertando a população sobre a importância de sua discussão.

A mortalidade por suicídio tem crescido muito nos últimos anos, e abordar o tema morte envolve muita complexidade. Profissionais da área de saúde deparam com uma situação em que o ser humano busca uma ruptura radical para se livrar de uma situação de dor psíquica insuportável.

O suicídio é um fenômeno complexo, multifacetado e de múltiplas determinações, que pode afetar indivíduos de diferentes origens, classes sociais, idades, orientações sexuais e identidades de gênero.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) elaborou um modelo de referência para se pensar a saúde pública com recomendações que orientam países e comunidades a estruturar ações preventivas para o suicídio. As recomendações apresentadas foram: ampliação da conscientização da comunidade acerca do suicídio e seus fatores de risco; intensificação de programas e serviços de conscientização e de assistência e incremento e aprimoramento da ciência sobre o tema, de forma a aumentar os recursos de prevenção e de ação sobre o suicídio.

Busca-se destacar programas de intervenção preventiva que permitam a identificação precoce e a intervenção nas situações de risco, levando em consideração a complexidade de tal fenômeno humano, sempre. O suicídio não é somente uma tragédia pessoal, ele também representa um sério problema de saúde pública.

Em termos globais aumentou 60% nos últimos 45 anos a mortalidade por suicídio. Ocorreu uma alteração na faixa de suicídio de pessoas mais idosas da população para faixas mais jovens 15 aos 45 anos. E na maioria dos países o suicídio está entre as dez causas mais frequentes de morte da população geral,  entre adolescentes e adultos jovens. Divulgado pela OMS que o suicídio tem uma morte a cada 35 segundos.

O comportamento suicida independente do ponto de vista que é analisado está relacionado com o sofrimento. A pessoa que efetivamente tenta suicidar deixa atrás de si muitas outras – familiares e amigos – cujas vidas são afetadas profundamente desde o ponto de vista emocional, social e econômico.

Estima-se que o número de tentativas de suicídio supere o número de suicídios em pelo menos 10 vezes mais, por não existir nenhum sistema de registro nacional que monitore a real dimensão desse fato. Uma tentativa de suicídio é um fator de risco para sua futura concretização. Após uma tentativa o risco de suicídio aumente, por isso deve ser encarado com seriedade, como um sinal de alerta a indicar a atuação de fenômenos psicossociais complexos. Dar atenção a pessoa que tentou se suicidar é uma das principais ajuda para se evitar um futuro suicídio.

A prevenção ao suicídio faz por meio de reforços de fatores protetores e diminuição  dos fatores de risco. Podemos citar que bons vínculos afetivos, sensação de estar integrado, a religiosidade (pessoas com envolvimento religiosos em geral possuem menores taxas de suicídio) , estar casado ou companheiro fixo, ter filhos pequenos ajuda na prevenção do suicídio.  Apego aos filhos pequenos e o sentimento de importância na vida das pessoas também colabora para a prevenção ao suicídio. Outro forma de proteção é a pessoa estar empregada, e ter uma ocupação, sentindo produtivo e socialmente mais integrado por meio do trabalho.

Entre os principais fatores de riscos para o suicídio podemos citar certos transtornos mentais como por exemplo a depressão, o alcoolismo, as perdas recentes, as perdas de figuras parentais na infância, relacionamentos conturbados em famílias, personalidades com traços fortes de impulsividade e agressividade, transtorno do humor bipolar, drogas psicoativas, esquizofrenia. Nesses indivíduos com comorbidades o risco de suicídio aumenta mais de 20 vezes.

Os indivíduos com maior risco de suicídio são os homens de 15 a 35 anos ou acima de 75 anos. Com especifidade de serem muito ricos ou muito pobres, desempregados, ateus, solteiros, separados ou migrantes. Nas mulheres a gravidez e a maternidade parecem auxiliar para que elas tenham menores taxas de suicídio.

Os meios utilizados usados para o suicídio variam de acordo com a cultura e o acesso que se tem a eles. Os meios mais utilizados entre os homens para o suicídio são o enforcamento, arma de fogo, envenenamento por pesticidas, e nas mulheres é o enforcamento, fumaça/fogo, precipitação de altura, arma de fogo e envenenamento por pesticidas. E o cenário mais frequente onde acontecem os suicídios é a própria casa e nos hospitais.

Um indivíduo em sofrimento pode dar certos sinais, que devem chamar a atenção de seus familiares e amigos próximos. As  manifestações não devem ser interpretadas como ameaças nem como chantagens emocionais, mas sim como avisos de alerta para um risco real. As pessoas sob risco de suicídio costumam falar sobre morte e suicídio mais do que o comum, confessam se sentir sem esperanças, culpadas, com falta de autoestima e têm visão negativa de sua vida e futuro. As pessoas com pensamentos suicidas podem se isolar, não atendendo a telefonemas, interagindo menos nas redes sociais, ficando em casa ou fechadas em seus quartos, reduzindo ou cancelando todas as atividades sociais.

As ideais suicidas podem estar expressas de forma escrita, verbal ou por meio de desenhos. Atente-se para os comentários, pode parecer óbvio, mas muitas vezes são ignorados:
“Vou desaparecer.”
“Vou deixar vocês em paz.”
“Eu queria poder dormir e nunca mais acordar.”
“É inútil tentar fazer algo para mudar, eu só quero me matar.”

O diagnóstico precoce e o tratamento correto com relação a depressão (por ser a patologia mais frequente encontrada no suicídio), é uma das formas mais eficazes de se prevenir o suicídio.

É de extrema importância termos atitudes acolhedoras, atenção, interesse e preocupação de modo que podemos ajudar na manutenção de sentimentos de esperança e oferecer orientação criteriosa, a uma real qualidade de vida da pessoa que está em sofrimento.

Encontre um momento apropriado e um lugar calmo para falar sobre suicídio com essa pessoa.  Ouça-a com a mente aberta, sem julgamentos e ofereça seu apoio.

Se você acha que essa pessoa está em perigo imediato, não a deixe sozinha.

Se a pessoa com quem você está preocupado vive com você, assegure-se de que ele(a) não tenha acesso a meios para provocar a própria morte (por exemplo, pesticidas, armas de fogo ou medicamentos) em casa.

Incentive a pessoa a procurar ajuda de profissionais de serviços de saúde, de saúde mental. Ofereça-se para acompanhá-la a um atendimento.

É um assunto complexo que muitos ainda não gostam de pensar e falar, mas existe e está crescendo a cada dia mais. Então precisamos nos aprofundar, e sempre buscar ajuda de profissionais de saúde para nos auxiliar e orientar.

 

Referências bibliográficas:

BOTEGA, Neury José. Comportamento suicida: epidemiologia. Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP, Brasil. Ano 2014.

BOTEGA, Neury José. PONTIFÍCIA, Blanca S. G. Werlang. CAIS, Carlos F. Silva. MACEDO, Mônica M. Kother. Prevenção do comportamento suicida. Ano 2006.

https://saude.gov.br/saude-de-a-z/suicidio

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