Colunistas

avatar
Anne Francis Costa

Refém das emoções? O corpo é que paga

Psicóloga Clínica – Terapia Cognitiva Comportamental
CRP nº 04/56392
Graduada em Psicologia pelo Centro Universitário do Triângulo (Unitri).
A terapia busca tratar problemas psicológicos, emocionais e comportamentais.
Ela pode trazer enormes benefícios para o paciente: segurança nas decisões,
aumento da autoestima, autoconhecimento, desenvolvimento pessoal,
tolerância à frustração, superação de conflitos internos, superação de traumas
e abusos, motivação, melhora os relacionamentos interpessoais.

Ciúmes bom ou ruim?

Enviado por: 10/01/2020

O sentimento de ciúme se faz presente na maioria das relações. Tanto a ausência ou sua intensidade aumentada são um problema. Para muitos, o ciúme representa uma manifestação de amor, e também pode ser considerado, para outras pessoas, como um sentimento que traz angústia, podendo atingir formas doentias e abalar a saúde física e mental dos envolvidos direta ou indiretamente com ele. O ciúme é algo inevitável, porque em um maior ou menor grau, as pessoas estão sujeitas a ele. Pode ocorrer em quaisquer tipos de relacionamentos, mas está mais associado aos relacionamentos amorosos.

O ciúme normalmente surge quando um relacionamento é ameaçado e pode envolver sentimentos como medo que sentimos de algum dia sermos dispensáveis, de não sermos mais amados, de não sermos importantes, sentimos angústia, ansiedade, raiva, rejeição, indignação, constrangimento e solidão ligado ao abandono dos parceiros dependendo de cada pessoa. O sentimento assume um volume monstruoso e perturba a vida de ciumentos e de suas vítimas, de tal forma que não há mais sossego possível. São os casos em que o ciúme se torna patológico, doentio, e torna-se uma obsessão descontrolada.

Numa relação de ciúme as pessoas, geralmente são tratadas como objetos pelos próprios parceiros. Alguns se anulam e perdem grande parte de sua identidade para serem o que o ciumento quer que sejam tentando corresponder a todas as suas expectativas. O que mascara esta constatação é a percepção distorcida de que isso é feito com prazer pela pessoa ciumenta, pelo bem do outro. O ciúme pode ser egoísta à medida que leva o seu possuidor a agir visando com isso reprimir os direitos da pessoa a ela vinculada. O ciúme não visa proteger o outro, e sim preservar a si mesmo de futuras preocupações que lhe sejam custosas em relação ao investimento amoroso realizado.

Uma relação como esta pode ser caracterizada como doentia e destrutiva, na qual as pessoas se beneficiam umas das outras, ou servem-se do outro como uma forma de obter garantia de que não serão abandonadas, de que não serão desrespeitadas e menosprezadas. O parceiro ciumento acaba interferindo no comportamento do outro e em sua liberdade, tornando-se possessivo e controlador. No ciúme patológico é um grande desejo de controle total sobre os sentimentos e comportamentos do companheiro.

Contudo, quando não há nenhum sinal de ciúme, deve-se ficar também em alerta, e examinar se a relação não está se desgastando, e, portanto, tornando-se isento de amor, o que pode levar este relacionamento amoroso em uma
relação com características fraternas .

O ciumento pode ser uma pessoa que tem baixa autoestima tendo como defesa um comportamento impulsivo e não consegue dar valor a si mesmo, nutrindo por si mesma um forte sentimento de ansiedade e incerteza.

O ciúme é um conjunto de emoções desencadeadas por sentimentos de ameaça à estabilidade ou qualidade de um relacionamento íntimo valorizado. As definições de ciúme são muitas, mas todas têm em comum três elementos:
uma reação frente a uma ameaça percebida; haver um rival real ou imaginário; e a reação visa eliminar os riscos da perda da pessoa amada.

É preciso identificar os motivos que alimentam o ciúme e utilizar suas manifestações como sinal de alerta. Uma pessoa ao identificar que está sendo tomada pelo ciúme deve buscar ajuda necessária para os cuidados do equilíbrio emocional e assim assegurar o bem-estar da relação.

Quando uma pessoa tem uma autoestima rebaixada é tomada por fortes ilusões com respeito ao que pode esperar dos outros, tem tendência a abrigar fortes temores, além de ter uma forte predisposição para manifestar desapontamentos e desconfiar das outras pessoas. É comum que pessoas com baixa autoestima escolham seus cônjuges para conseguir algo que lhes falta: pode ser a estima que esperam que o outro tenha por si; pode ser alguma qualidade que veem no outro e sentem que lhes falta; pode ser o movimento e a ação que o outro faz e que espera que faça por si, entre outras hipóteses.

O ciúme pode ser benéfico, sobretudo, se ocorre em uma união consistente e provoca um comportamento de aproximação dos companheiros. Quando o ciúme excede os limites, ele provoca sofrimento para as pessoas envolvidas, podendo conduzir ao término da relação.

Ciumentos têm comportamentos obsessivos como a confirmação de onde o parceiro está, e se está mesmo com quem disse que estaria, abrir correspondências, ouvir telefonemas, examinar bolsos, bolsas, carteiras, recibos, e roupas íntimas, entre outros. Essa tentativa de aliviar sentimentos, além de ser vista como ridícula pelo(a) próprio(a) ciumento(a), não ameniza o mal-estar da dúvida.

Possamos considerar o ciúme não apenas como um sentimento, mas como uma construção social que abrange vários outros sentimentos como amor, ódio, medo, raiva, orgulho, inveja e que desencadeia reações diferentes, reais
ou imaginárias.

É importante que se tenha consciência de quando o ciúme já ultrapassou a barreira do normal e precisa ser avaliado. A ajuda profissional é essencial para avaliar e tratar possibilitando uma vida dentro da normalidade no menor tempo possível. Mas para isso a pessoa com esse problema precisa reconhecer o problema e querer ajuda.

Referência bibliográfica:
ALMEIDA, Thiago; RODRIGUES, Kátia R. B. ; SILVA, Ailton A. O ciúme
romântico e os relacionamentos amorosos heterossexuais contemporâneos.
Estudos de Psicologia 2008, 13(1),83-90.
MALLMANN, Cléo J. Ciúmes do normal do patológico. Estudos de Psicanálise
Belo Horizonte-MG | n. 43 | p. 43–50 | julho/2015

Comentários...