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Documentário investiga história de Chico Rei em Ouro Preto, durante o período de escravidão

Enviado por: Redação V9 20/11/2020

O que determina o que é mito ou fato é o critério de quem detém o poder. Com este pensamento, a cineasta Joyce Prado viajou a Ouro Preto para questionar a história oficial a partir de Chico Rei, que, trazido para o Brasil em 1740, conseguiu comprar a própria alforria, bem como libertar muitos outros negros da escravidão.

“Eu senti que Chico Rei representava essa possibilidade de questionamento, investigando a história oral e também relacionando com a memória”, assinala Joyce. O resultado deste mergulho é “Chico Rei Entre Nós”, documentário ganhador de menção honrosa na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, no mês passado.

O passado repercute no presente, numa sistemática política de apagamento. “A ausência de registro com relação à população negra afeta até hoje a nossa formação enquanto sujeito e comunidade”, observa. No filme, é lembrado que documentos de negros escravizados foram queimados para não encontrarem as raízes familiares.

O tráfico de pessoas negras, destaca Joyce, se tornou um caminho estratégico dos impérios para conseguir mão-de-obra qualificada. “Como não eram remunerados, havia uma exploração de lucro total. A gente precisa entender o processo de escravização como uma estratégia de capital”, afirma a realizadora.

Um dos aspectos mais interessantes do filme é mostrar o grau de especialização em mineração dos negros escravizados, fruto de uma expertise desenvolvida em longos anos. “Nas minas, eles utilizam óleo de mamona e de banana para ter a luz na candeia. Para separar o ouro, utilizava-se uma maceração de ervas para fazer a separação química dos metais”.

Ela sublinha que a Escola de Engenharia de Minas ainda tem uma base muito forte em Ouro Preto porque, após a abolição, passaram a entrar nas minas e obter a sistematização deste conhecimento, dando origem ao ensino desta matéria. “A maneira como acontecem as etapas de mineração ainda parte deste conhecimento”.

Joyce não tem dúvidas de que entender esse legado africano é extremamente importante para a formação e fortalecimento de identidade, “dentro de uma dinâmica social onde se atribui características tão negativas a pessoas negras.

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