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Geógrafa da UFU estuda como evitar inundações em Uberlândia

Enviado por: Redação V9 03/07/2019

O crescimento da área urbana de Uberlândia é uma realidade nas últimas décadas. A região sul da cidade tem registrado maior desenvolvimento de perímetro urbano e, para que esse crescimento aconteça, é preciso que sejam feitos cálculos, planejamento socioambiental e urbano e o mapeamento de áreas geográficas que possam justificar uma expansão do território. Toda essa descrição faz parte do trabalho de um geógrafo.

Muitas cidades brasileiras sofrem com problemas de inundação em períodos de chuvas intensas e no território uberlandense não é diferente. Isso acontece em decorrência da impermeabilização de grandes áreas, da canalização de córregos e da retirada de vegetação natural. Os complexos urbanos que enfrentam esses problemas encontram dificuldades para achar soluções viáveis que atendam às demandas populacionais.

É por isso que são feitas pesquisas em áreas onde ainda não se tem uma área urbana consolidada, com o objetivo de alertar e orientar sobre riscos de ocorrência de desastres naturais. A bacia hidrográfica do Ribeirão Bom Jardim, situada na porção sul da cidade de Uberlândia, é um exemplo de caso de área ainda não ocupada pela cidade e, por esse motivo, foi tema de pesquisa de mestrado da geógrafa Fernanda Oliveira Borges, do Instituto de Geografia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

A dissertação fez o mapeamento das áreas com tendência à inundação, indicando as margens que precisam ser preservadas. A pesquisa começou a ser realizada em 2017 e foi defendida em março deste ano.

Sobre a pesquisa

O Ribeirão Bom Jardim é o principal manancial de abastecimento de Uberlândia e atende principalmente às demandas dos bairros da zona sul, onde há um reservatório do DMAE. Como em qualquer manancial, a água segue o seu fluxo normal, o fluxo da natureza. Quando esse curso é interrompido ou alterado, como no caso da canalização de córregos, acontecem inundações.

O estudo teve como inspiração os recorrentes eventos de inundação na avenida Rondon Pacheco. No local, onde passam milhares de veículos todos os dias, antes corria o córrego São Pedro. Nos períodos chuvosos, a via urbana fica intransitável, comércios são fechados, carros enfrentam congestionamentos e, por vezes, chegam a rodar quando o volume de água atinge grandes níveis, sem contar o lixo que se junta em meio às correntezas.

O mapeamento prévio foi feito através de imagens de satélite. Depois, com os estudos de campo, a geógrafa identificou onde havia solo e vegetação característicos de áreas úmidas. Esse tipo de análise consegue identificar até onde a margem de água pode alcançar, caso haja enchente. As amostras de solo, o cruzamento de dados e os registros fotográficos apontaram a área de inundação do ribeirão.

A delimitação das áreas com tendência à inundação apontou uma ampla margem que deve ser preservada em sua forma natural, evitando a ocupação humana e, consequentemente, desastres naturais. O relevo da bacia é muito plano, o que facilita o acúmulo de água nos períodos chuvosos.

Com base nesses estudos, foi indicada a preservação das margens do Ribeirão Bom Jardim em toda a sua extensão, conservando a vegetação natural das Áreas de Preservação Permanente (APPs), cujo objetivo é evitar a impermeabilização do solo e facilitar o escoamento e a infiltração da água. Além da prevenção à inundação, essas APPs também influenciam no equilíbrio ecológico, protegendo a biodiversidade local e garantindo um ambiente agradável.

Segundo a pesquisadora, “é importante também unir essa Área de Preservação Permanente junto com a do Rio Uberabinha, porque assim a gente teria um ‘corredor ecológico’, e isso é bom para a preservação da biodiversidade, fauna e flora da cidade”.

A importância do estudo é uma forma de subsídio para o planejamento ambiental e urbano de Uberlândia. “A ideia de fazer esse mapeamento foi justamente como uma prevenção, para avisar a Prefeitura [Municipal] e a sociedade que aquelas áreas do Ribeirão Bom Jardim, as áreas que a gente mapeou, não podem ser ocupadas porque a ocupação pode gerar desastres naturais”, explica Borges. “A sociedade está sempre submissa ao que o poder público e a iniciativa privada têm feito. Então precisamos mostrar para a sociedade que a gente precisa preservar uma área que pode vir a trazer sérios danos à população caso ocorra inundação”, completa.

Os próximos passos da pesquisadora vão em direção ao doutorado, com uma linha de pesquisa que siga os estudos sobre o Ribeirão Bom Jardim.

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