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A morte do pequeno Matteo, de apenas três meses, ocorrida no dia 3 de junho deste ano no bairro Jardim das Palmeiras, continua repercutindo e gerando forte comoção social. O bebê faleceu após ser espancado pelo pai, que confessou o crime e foi encontrado morto no presídio dias depois.
A mãe da criança, Lorenna, segue presa. Com o encerramento do inquérito policial, a defesa dela veio a público para apresentar sua versão dos fatos, alegando que a mulher era vítima de um relacionamento extremamente abusivo e que chegou a tentar salvar o filho.
Segundo a versão apresentada pelos advogados de Lorenna, ela não presenciou os ataques fatais contra Matteo, uma vez que o crime teria ocorrido em um momento de irritação do pai com o choro persistente do bebê após ele se engasgar. O homem, que já havia admitido não ter paciência com o filho, empurrou a companheira e se isolou em um quarto com a criança; sendo que a gravidade da situação só foi descoberta quando ele saiu do cômodo e Lorenna, que preparava uma nova mamadeira, percebeu que o bebê estava com falta de ar enquanto o pai tentava fazer uma massagem cardíaca para reanimá-lo.
A defesa sustenta que Lorenna tentou buscar ajuda imediatamente, mas foi impedida pelo companheiro. “Ela tentou chamar o Corpo de Bombeiros na primeira vez em que a criança passou mal. No entanto, ele jogou o celular dela no chão, quebrou o aparelho, retirou o chip e colocou no próprio celular para que ela não fizesse a ligação de novo”, afirmou o advogado.
A mãe só teria conseguido ligar para o socorro em um segundo momento de piora do bebê, quando aproveitou o descuido do homem, que tentava massagear a criança, e pegou o celular diretamente do bolso dele.
Os advogados pintam o cenário de uma rotina doméstica pautada pelo medo: o pai de Matteo era usuário de drogas, o que agravava a situação financeira da família, que sobrevivia com a ajuda de instituições religiosas. Além disso, Lorenna apresentava traços de depressão e trabalhava durante o dia, revezando os cuidados dos filhos com o companheiro, que trabalhava à noite.
A banca de defesa afirma ter reunido testemunhas que comprovam o histórico violento do homem, que submetia a família a um verdadeiro cativeiro psicológico ao controlar o uso do celular de Lorenna e proibir sua locomoção sem autorização. Além disso, segundo relatos, o companheiro praticava uma violência velada, tendo desferido agressões anteriores contra ela e a outra filha do casal, de apenas dois anos, de maneira estratégica para não deixar marcas visíveis que pudessem ser denunciadas à polícia; tudo isso acompanhado por ameaças constantes de morte, nas quais ele prometia “ceifar a vida” de todos na casa.
A defesa argumenta que a sociedade fez um pré-julgamento de Lorenna sem conhecer a realidade do cárcere psicológico em que vivia. Os advogados pretendem apresentar novas provas, solicitar perícias e depoimentos para demonstrar que qualquer omissão por parte da mãe ocorreu sob forte coação moral e física.
O caso segue em tramitação no Judiciário de Uberlândia. Com o fim do inquérito, o processo entra na fase de análise de provas e requerimentos. O julgamento final ainda não tem data definida e deve ocorrer a médio ou longo prazo.
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