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Deficientes reclamam de dificuldade para tirar carteira de habilitação em Uberlândia

Enviado por: Augusto Ikeda 14/06/2017

O professor Amado de Paulo da Silva, que é cadeirante, reclama que ele não consegue tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para motocicletas em Uberlândia.

Amado já possui carteira de habilitação B, que permite dirigir qualquer tipo de carro, e possui um veículo adaptado para poder ir ao trabalho. Só que o professor deseja também poder conduzir motos, mas para isso, reclama que precisa fazer todo o processo em Belo Horizonte, capital do estado.

“Nós temos de nos deslocar até Belo Horizonte e fazer todo o processo lá. Nós moramos em Uberlândia, que fica a mais de 500 quilômetros de distância, e para se deslocar até lá, é preciso pagar hotel, estadia e mais as aulas. Acho uma incoerência muito grande pela importância que Uberlândia tem hoje.”, afirmou o professor, que já está nessa luta há aproximadamente cinco anos.

A assistente administrativa Glaucione Fernandes Costa passou por todo o processo em Belo Horizonte, e para isso, gastou 500 reais em uma viagem que durou 10 horas. E reclamou de algumas inconsistências no exame.

“O processo, ao todo, foi em torno de 50 minutos. Cheguei, o médico de lá já viu meu exame, e acho que ele não me examinou. Ele só tirou minha pressão e o oftalmo (sic). Depois, fui para o examinador fazer a simulação no carro. Ele simplesmente só descreveu a adaptação que precisava. (Tive) todo esse gasto pra fazer uma hora de avaliação”, relatou.

Lei exige a descentralização

A Lei Estadual número 21.157, de janeiro de 2014, exige que o estado promova a descentralização da Comissão de Exames Especiais do Detran-MG para as cidades sede das Regiões Integradas de Segurança Pública (mais conhecidas como RISP), justamente para assegurar o acesso de pessoas com deficiência ao local de realização de exames. Mais isso até hoje não aconteceu.

O vereador Rodi Borges afirma que já acionou o Ministério Público para que essa legislação seja cumprida no município de Uberlândia. “A lei não foi efetivada no estado de Minas Gerais. Nós queremos, junto do Ministério Público, fazer com que o Detran de Uberlândia acione e implante essa banca examinadora para poder tornar real algo que é, hoje, difícil para todas as pessoas que sofrem com esse transtorno”, disse.

Por conta desse problema, estima-se que o Detran de Belo Horizonte tenha de atender, em média, 70 pessoas com deficiência diariamente.

Informações nos locais: Camila Rabelo e Vinícius Lemos

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