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Governo quer fazer acordo para que a taxa deixe de existir antes das eleições presidenciais
De olho nas eleições de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu marcar para quarta-feira (26) uma reunião com os presidentes da Câmara, Hugo Mottta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O objetivo é aproveitar o encontro para fechar um acordo político e anunciar o fim da taxa das blusinhas.
O próprio Lula admitiu intenção de fazer o anúncio ainda nesta semana — ainda que a votação, de fato, deva ficar para o início de setembro. Na prática, o petista quer garantir que a taxa deixará de existir antes das eleições presidenciais, prevista para outubro deste ano.
“Estive com o meu amigo Alcolumbre, quarta-feira tem uma reunião com ele, e nós vamos anunciar o fim da taxa das blusinhas, para o bem das pessoas que gostam de comprar coisinha pouca por 50 dólares”, explicou Lula, durante entrevista à TV Record nesse domingo (23).
A pressa de Lula não é à toa. A Medida Provisória (MP) que trata do fim da taxa das blusinhas foi editada pelo governo federal em maio deste ano, quase dois anos após Lula sancionar a taxação de compras internacionais de até US$ 50.
Mas, para que a mudança seja mantida, a MP precisa ser aprovada pelo Congresso o quanto antes, já que o prazo de validade da medida vence em 8 de setembro. Caso perca a validade sem a conclusão da votação, a cobrança federal de 20% poderá voltar.
A comissão mista de deputados e senadores responsável pela análise da proposta ainda não foi instalada. Uma tentativa feita há cerca de duas semanas acabou adiada por falta de acordo para a escolha do presidente e do relator do colegiado.
A instalação foi remarcada para 1º de setembro, justamente durante o próximo período de esforço concentrado do Congresso. Como deputados e senadores estão voltados às campanhas eleitorais, as votações serão retomadas entre 31 de agosto e 4 de setembro.
Por conta desse cenário, Lula entrou pessoalmente na articulação da matéria, ao divulgar um vídeo na terça-feira (18) em que disse estar “otimista” com a aprovação da medida.
Na mesma peça, o petista também fez um apelo a Davi Alcolumbre e Hugo Motta para que o texto seja colocado em votação.
A discussão envolve um mercado que alcança milhões de brasileiros. Segundo dados apresentados pelo Instituto Livre Mercado (ILM), cerca de 68 milhões de pessoas fazem compras em sites internacionais, e o tíquete médio é de US$ 18, cerca de R$ 90. Além disso, 88% dos consumidores desse mercado pertencem às classes C, D e E.
O ILM, que defende a aprovação da MP e a manutenção da alíquota zero, argumenta que os números mostram que as compras internacionais de pequeno valor não estão concentradas em produtos de luxo e são utilizadas principalmente por consumidores em busca de preços mais baixos.
O fim da cobrança enfrenta resistência de representantes da indústria e do varejo nacional. O setor produtivo argumenta que a isenção cria uma concorrência desigual, uma vez que empresas brasileiras continuam submetidas à carga tributária e aos custos de produção no país.
SBT News
