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Ex-primeira-dama participou apenas de uma agenda pública com o enteado no segundo turno e focou nas disputas do Distrito Federal e Tocantins
Após prometer uma atuação ostensiva na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro optou por se manter distante da rotina de agendas do enteado neste segundo turno. Eleita senadora pelo Distrito Federal, Michelle marcou presença em apenas um compromisso público ao lado do candidato à Presidência: a reunião de bancada do PL com os membros eleitos.
O distanciamento se manteve mesmo depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ter flexibilizadoa visitas familiares a Jair Bolsonaro, medida considerada como condição para a participação ex-primeira-dama. No primeiro turno, Michelle era tratada como peça-chave para reduzir a rejeição do eleitorado feminino a Flávio e suavizar a imagem da chapa. Por conta disso, a equipe dele alimentava a expectativa de que ela fosse participar de grandes comícios e viagens estratégicas.
Na prática, contudo, Michelle priorizou palanques de aliadas da sigla, como Professora Dorinha (TO) e Celina Leão (PP-DF) deixando de ir, inclusive, na celebração do resultado do primeiro turno. O afastamento foi tanto que a imagem da senadora recém eleita foi praticamente suprimida das propagandas e inserções na TV e no rádio do enteado.
A equipe do senador minimiza a distância e afirma que a ausência de Michelle segue uma diretriz traçada para a reta final: a de que os principais nomes da direita deveriam atuar localmente para captar votos em suas bases, dinâmica cumprida rigorosamente pelo vice da chapa, Alfredo Gaspar.
Bastidores da sigla, contudo, indicam outra leitura. O peso político de Michelle teria perdido apelo estratégico à medida que Flávio se consolidou na liderança das pesquisas no primeiro turno. Com isso, a coordenação preferiu centralizar a comunicação no desempenho econômico e na polarização direta com a esquerda, deixando de lado acenos específicos ao eleitorado feminino por meio da ex-primeira-dama.
Paralelamente, a ex-primeira-dama tem trabalhado para garantir a eleição de aliadas, consolidando um grupo político próprio fundado durante sua gestão no PL Mulher. A lealdade a essa ala feminina, aliás, motivou o embate público entre ela e Flávio ainda no primeiro turno. Enquanto ela defendeu o nome de Priscila Costa no Ceará, o senador ficou do lado de um arranjo estratégico do deputado-federal André Fernandes com Ciro Gomes, que acabou derrotado nas urnas.
Caso suas principais aliadas confirmem a vitória nos governos estaduais, a “bancada da Michelle” passará a contar com duas governadoras; Professora Dorinha (União), no Tocantins, e Celina Leão, no Distrito Federal; três senadoras; Bia Kicis (PL-DF), Damares Alves (PL-DF), e Carol de Toni (PL-SC); além de Rosângela Reis (PL-MG), Chris Tonietto (PL-RJ), Rosana Valle (PL-SP) e outros nomes na Câmara dos Deputados.
No entanto, a regra constitucional que veda a candidatura de parentes de até segundo grau da Presidência da República inviabiliza os planos eleitorais de Michelle para 2030 em caso de vitória de Flávio. Fora da corrida presidencial, resta saber qual será o papel político dela dentro do governo do enteado.
SBT News
