Milei assina decreto contra discursos de ódio na Argentina


Medida prevê proibição de entrada e expulsão de estrangeiros que incentivarem ataques contra argentinos ou símbolos nacionais

O presidente da Argentina, Javier Milei, assinou nesta quarta-feira (29) um Decreto de Necessidade e Urgência (DNU) que amplia as situações que podem impedir a entrada ou levar à expulsão de estrangeiros do país. A medida inclui pessoas que promovam ou incentivem mensagens de ódio, discriminação ou violência contra a Argentina ou seus cidadãos por causa da nacionalidade.

Em comunicado, o governo argentino afirmou que a defesa do país, da população e dos símbolos nacionais “não é negociável”. Segundo o texto, pessoas que atacarem a República Argentina não serão bem-vindas” em território argentino.

“Diante das recentes manifestações de hostilidade contra a República Argentina e os argentinos, o Governo Nacional reafirma que a defesa da Nação, de seus cidadãos e de seus símbolos não é negociável. Quem atacar a República Argentina não será bem-vindo em nosso país”, declarou a Presidência.

Decreto é anunciado durante crise com o Brasil

O anúncio ocorreu poucos dias depois do aumento da tensão entre Buenos Aires e Brasília. No domingo (26), Milei participou, no Brasil, da convenção que lançou Flávio Bolsonaro (PL) como candidato à Presidência da República. Durante o evento, o presidente argentino fez ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem chamou de “ex-presidiário” e “lixo socialista”.

O Itamaraty reagiu às declarações e convocou o embaixador brasileiro na Argentina, Júlio Bitelli, para consultas. O representante argentino no Brasil, Daniel Raimondi, também foi chamado para prestar esclarecimentos.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, classificou as falas de Milei como “ríspidas, grosseiras e inaceitáveis”.

Lula responde a Milei

Nesta quarta-feira (29), Lula comentou o episódio pela primeira vez. O presidente brasileiro chamou as declarações de Milei de “pataquada” e se referiu ao argentino como “aquela coisa”.

O episódio provocou uma nova crise diplomática entre os dois países. O Ministério das Relações Exteriores decidiu manter Júlio Bitelli no Brasil até que a tensão diminua.

Em uma reunião reservada, Mauro Vieira, Bitelli e outros integrantes da cúpula do Itamaraty discutiram a relação com a Argentina. A expectativa é que o embaixador retorne a Buenos Aires após novos sinais de conciliação por parte do governo argentino.

Mais cedo, o chanceler argentino, Pablo Quirno, descartou a possibilidade de rompimento das relações com o Brasil. Segundo ele, as declarações de Milei refletem diferenças políticas e ideológicas entre os governos.

SBT News