Ministro do Trabalho defende queda de juros para manter ritmo do emprego


O ministro do Trabalho e do Emprego, Luiz Marinho, defendeu a redução da taxa de juros para manter os investimentos e sustentar o crescimento do mercado de trabalho ao longo de 2026.

A afirmação foi feita na manhã desta terça-feira (3), durante a divulgação dos dados do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) de janeiro, na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em São Paulo.

Os dados apontam a geração de 112 mil vagas formais em janeiro deste ano, uma queda de aproximadamente 27% na comparação com o mesmo mês de 2025, quando foram criadas 154 mil novas vagas com carteira assinada.

Apesar do cenário, o ministro mostrou-se otimista ao afirmar que espera que os resultados acumulados no ano cheguem ao mesmo patamar — ou até mesmo superem — os do ano passado.

Questionado sobre o impacto da desaceleração do PIB e do cenário de juros no Brasil na geração de vagas com carteira assinada, Marinho disse que “emprego não tem milagre. Ou você cresce a economia para gerar emprego ou não cresce o nível de empregabilidade”.

Durante a coletiva, o ministro comentou o cenário macroeconômico e afirmou esperar que o Banco Central traga “novidades positivas” na próxima decisão sobre os juros, apesar do cenário internacional.

Segundo ele, o mundo vive um momento de instabilidade, com “guerras indesejáveis” que impactam o humor global e podem interferir nas decisões econômicas. Ainda assim, afirmou não enxergar justificativa para alta na taxa, hoje em 15% ao ano.

“Eu não sei o que o Banco Central vai decidir, mas não creio que haja motivação para não reduzir os juros. Não vejo necessidade de aumentar juros, muito pelo contrário. Nós precisamos viabilizar os investimentos contratados e, para isso, é preciso modular a taxa de juros, porque, senão, ela inibe os investimentos.”

Marinho afirmou que a política monetária impacta diretamente o ritmo da atividade econômica e, consequentemente, a geração de empregos.

Dados do Caged

De acordo com os dados do Caged, as 112 mil vagas abertas com carteira assinada em janeiro de 2026 resultaram de 2,2 milhões de admissões e 2,1 milhões de desligamentos, o que elevou o total de vínculos para cerca de 48,6 milhões.

No acumulado de 12 meses, o saldo é de 1,2 milhão de novos postos de trabalho, crescimento de 2,6% no estoque total.

Em relação a janeiro de 2025, o primeiro mês de 2026 teve 42 mil vagas a menos.

Quatro dos cinco grandes setores da economia tiveram desempenho positivo em janeiro. A indústria liderou a geração de vagas, com 55 mil postos (+0,6%), seguida pela construção, com 50 mil (+1,7%), serviços, com 40 mil (+0,2%), e agropecuária, com 23 mil (+1,3%).

O comércio foi o único setor com resultado negativo, registrando redução de 57 mil vagas (-0,5%).

Sobre o desempenho do comércio, Marinho afirmou que o movimento é sazonal.

“Se você observar todos os anos, no mês de janeiro o comércio tem número negativo, com raríssimas exceções. De lá para cá, janeiro sempre negativo”, disse.

Segundo ele, a passagem de dezembro para janeiro marca um período de ajuste após as contratações de fim de ano. “No caso do comércio, janeiro é negativo, então a gente vê isso com naturalidade.”

Os dados também mostram que 58% das vagas geradas são consideradas típicas e 42% não típicas, incluindo contratações com jornadas de até 30 horas e aprendizes. Entre os grupos populacionais, houve saldo positivo tanto para mulheres quanto para homens, com destaque para jovens de até 24 anos.

O salário médio real de admissão foi de R$ 2.389,78, alta de 3,3% em relação a dezembro.

Projeção para 2026

Questionado sobre as perspectivas para 2026, o ministro evitou projeções fechadas, mas afirmou que, considerando apenas o mercado interno e sem interferências externas, o desempenho pode repetir o resultado do ano passado, com possibilidade de avanço.

“Se entrarmos num momento de adequação dos juros, reduzindo a taxa, eu enxergo que o saldo do ano passado pode se repetir este ano, até com viés de crescimento, a depender de como a economia vai se comportar mês a mês”, pontuou.

Marinho ponderou que decisões externas e o ambiente global ainda trazem incertezas, mas reforçou que a manutenção de investimentos e uma política de juros compatível com a geração de empregos são fundamentais para o crescimento sustentável do mercado de trabalho ao longo do ano.

SBT News