MPF denuncia estudante que falsificou histórico escolar três vezes para tentar vaga na UFU


Um estudante virou réu na Justiça Federal após tentar ingressar no curso de Enfermagem da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) utilizando históricos escolares falsificados. A denúncia foi formalizada pelo Ministério Público Federal (MPF).

O caso teve início em janeiro de 2022, quando o candidato foi convocado pela lista de espera do Sistema de Seleção Unificada (SiSU). Para efetivar a matrícula, ele apresentou um documento para atestar a conclusão do Ensino Médio. No entanto, o setor de matrículas da UFU identificou inconsistências sérias, como notas insuficientes em disciplinas como Língua Portuguesa e Sociologia, além de divergências nos períodos letivos.

A universidade concedeu um novo prazo para que o estudante apresentasse a documentação correta, mas, em vez de regularizar a situação, ele utilizou um editor digital para inflar as notas e alterar os anos escolares.

A farsa foi descoberta pelos servidores da UFU porque os novos arquivos mantinham o mesmo código de barras e as assinaturas exatamente na mesma posição da versão rejeitada. No total, o candidato tentou enganar a instituição em três ocasiões consecutivas.

A confirmação definitiva da fraude ocorreu quando a UFU entrou em contato direto com a escola de origem do rapaz. A instituição de ensino confirmou que o aluno, na verdade, havia sido reprovado no terceiro ano do Ensino Médio.

Diante dos fatos, o MPF chegou a oferecer ao jovem um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) para evitar a abertura de um processo criminal. Contudo, o estudante não se manifestou, mesmo após ser notificado pessoalmente.

Com o desinteresse do investigado, o benefício foi cancelado e a denúncia seguiu para o Judiciário. O jovem foi enquadrado nos artigos 304 e 297 do Código Penal pelo crime de uso de documento público falso. Como a adulteração foi apresentada três vezes, a pena poderá ser agravada pelo artifício da continuidade delitiva.

Em depoimento prestado à Polícia Federal, o jovem confessou o crime; e o caso agora está sob análise da Justiça Federal.