Operação Scutum 3: PF inicia combate ao tráfico internacional de armas no Triângulo Mineiro


A Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Scutum 3, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada no tráfico internacional de armas de fogo e munições de grosso calibre. A ofensiva cumpre 11 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão temporária em cidades do Triângulo Mineiro.

As investigações revelaram que o esquema contava com uma estrutura sofisticada, que envolvia desde a importação ilegal de armamento de guerra até a lavagem de dinheiro em comércios locais de Uberlândia.

De acordo com a PF, após a análise do material apreendido nas duas primeiras fases da operação, os investigadores identificaram um núcleo criminoso central instalado na cidade mineira. O grupo operava com divisões claras de tarefas, contando com um dos investigados que ficava responsável por armazenar o armamento pesado; enquanto outro alvo da operação, um ex-integrante do Exército Brasileiro e do Gabinete de Segurança Institucional, utilizava seu trabalho em um clube de tiro de Uberlândia para realizar testes de funcionamento das armas.

A organização criminosa trazia armas de alta potência e longo alcance do Paraguai, transportando-as até o Triângulo Mineiro e o estado de Goiás. Posteriormente, esse arsenal era revendido para facções criminosas de outros estados, com destaque para o Rio de Janeiro e a Bahia.

Para dar uma aparência lícita aos lucros do crime, a organização utilizava empresas de fachada e comércios legítimos em Uberlândia: segundo a Polícia Federal, uma garagem de veículos e uma loja de celulares e eletrônicos eram usadas no esquema de lavagem de capitais. Diante das evidências, a Justiça Federal autorizou o bloqueio de até R$ 66 milhões em bens e valores vinculados aos investigados, visando asfixiar financeiramente o grupo.

Os envolvidos no esquema criminoso estão na mira da Justiça e, de acordo com o desdobramento das investigações, poderão responder por crimes graves que, somados, representam décadas de prisão. As principais acusações possíveis são: organização criminosa, comércio ilegal de armas, tráfico internacional de armas de fogo de uso restrito e lavagem de dinheiro.

A Polícia Federal segue analisando os materiais apreendidos nesta terceira fase para identificar outros possíveis integrantes do grupo e rastrear o destino final do armamento pesado.