Reta final do 2º turno: Flávio promete volta do Perse; Lula, tarifa zero


Na reta final da campanha, candidatos apresentam propostas que podem ampliar os gastos públicos; Flávio defende a volta do benefício fiscal, enquanto Lula propõe transporte coletivo gratuito

Na reta final das eleições, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciaram propostas que podem aumentar as despesas do governo. Flávio prometeu retomar o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), enquanto Lula anunciou o envio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para instituir a tarifa zero no transporte coletivo aos fins de semana.

As propostas foram apresentadas em um cenário de pressão sobre as contas públicas. A dívida bruta do governo chegou a quase 83% do Produto Interno Bruto (PIB), sem previsão de queda.

Flávio promete retomar benefício fiscal para eventos

Criado em 2021, durante a pandemia de Covid-19, o Perse tinha como objetivo auxiliar setores prejudicados pelas restrições sanitárias. Entre os segmentos beneficiados estavam hotelaria, restaurantes, bares e agências de turismo.

O programa foi encerrado em 2025, após acusações de irregularidades. Segundo a Receita Federal, mais de duas mil empresas utilizavam o benefício de forma ilegal em julho de 2024.

Flávio Bolsonaro argumenta que a retomada do Perse seria necessária para ajudar o setor de shows e aumentar o faturamento de comércios e motoristas de aplicativo.

A promessa contrasta com a postura de austeridade fiscal defendida pela campanha do PL durante o período eleitoral. A proposta previa um corte de R$ 200 bilhões, mas, segundo a reportagem, durou pouco e não teve uma explicação clara sobre a origem das reduções.

Além da retomada do Perse, Flávio propôs devolver parte dos valores pagos por meio de Pix em contas e parcelas. Ele, no entanto, não detalhou quais pagamentos seriam contemplados, quando a devolução aconteceria nem qual seria o impacto fiscal da medida.

Lula propõe tarifa zero no transporte coletivo

Lula anunciou que enviaria ainda naquela semana uma PEC para instituir a tarifa zero no transporte coletivo aos fins de semana. O governo avaliou que a medida teria um impacto fiscal de aproximadamente R$ 10 bilhões, valor que seria coberto com recursos destinados a emendas parlamentares.

Para viabilizar a proposta, seria necessário que o Congresso cedesse 25% das emendas impositivas. Analistas consideram essa possibilidade improvável. A própria base governista reconhece que a proposta enfrentaria dificuldades no Parlamento.

Analistas veem disputa de promessas na reta final

Leandro Gabiati, cientista político e diretor da Dominium, classificou o cenário como “um verdadeiro leilão de promessas”. Segundo ele, os candidatos enfrentam dificuldades para defender medidas de contenção de gastos durante a campanha.

“Se eu disser a verdade, se eu disser como candidato que eu vou cortar gastos, eu certamente não vou me eleger”, afirmou.

Gabiati também destacou que os eleitores tendem a buscar soluções simples para os problemas, sem necessariamente se aprofundar nos detalhes sobre como as políticas públicas serão financiadas.

Na avaliação do cientista político, Flávio cometeu um erro de estratégia logo após o primeiro turno ao concentrar esforços em composições políticas e na divisão de cargos, enquanto Lula intensificava a campanha.

Para ele, esse movimento se reflete nas pesquisas realizadas após o primeiro turno, nas quais a distância entre os candidatos teria caído de quatro para dois pontos ou até menos. Diante desse cenário, segundo os analistas, Flávio teria sido levado a entrar na mesma disputa de promessas.

Reprodução Itatiaia Política